História
Quem foi Branca Dias
Mercadora, professora, senhora de engenho e, em segredo, judia. A Inquisição a processou viva e a denunciou depois de morta. O povo a transformou em lenda.
- c. 1515
Nasce em Viana, norte de Portugal, numa família de cristãos-novos.
- 1543
A mãe e a irmã são presas pela Inquisição em Lisboa. Branca manda recado: calem a boca e não condenem ninguém. O recado a leva à prisão.
- 1545
Confessa, tem a pena reduzida e é libertada. Nunca denunciou ninguém.
- c. 1551
Cruza o Atlântico com os filhos até Pernambuco, onde o marido, Diogo Fernandes, tinha o engenho de Camaragibe. Em Olinda, abre uma escola onde meninas aprendem a costurar, bordar e cozinhar.
- antes de 1588
Morre em Pernambuco.
- 1593
A Inquisição chega a Pernambuco. As ex-alunas contam o que viam na casa dela aos sábados, incluindo o cozido amarelo.
A lenda
No Recife, dizem que ela jogou a prataria num riacho antes de ser presa, e por isso ele se chama Riacho da Prata. Seu fantasma de branco apareceria no Açude do Prata em noites de lua cheia. Na Paraíba, contam que foi queimada. Não foi: morreu em casa.
A lenda virou peça (O Santo Inquérito, Dias Gomes, 1966), poema (Drummond, 1978) e quadrinhos (2019). E muita família do Nordeste diz descender dela.
Para saber mais
O processo de Branca está na Torre do Tombo, em Lisboa (nº 5736). As denúncias de 1593 foram publicadas em 1929. Sobre a vida dela, veja Mônica Queiroz (2024); sobre a lenda, Geraldo Joffily (1971), que recupera a pergunta de Irenêo Joffily em 1896: “Por que entre tantas vítimas … a memória popular só conservou o nome de Branca Dias?”