Hoje

Onde a tradição de Branca vive hoje

Branca guardou a Lei escondida. Os cristãos-novos que conseguiram fugir da Península a guardaram às claras, e as comunidades que fundaram ainda rezam, cantam e cozinham o Shabat. Dá para visitar quase todas.

A Nação

A tradição espanhola e portuguesa

Os que fugiram da Inquisição chamavam a si mesmos “a Nação”. Em Amsterdã, Londres, Hamburgo, Bordeaux e nas Américas, montaram congregações com um rito próprio, o espanhol e português, também chamado sefardita ocidental. Por séculos, a língua da comunidade foi o português, e a das orações de fora do hebraico, o espanhol.

Onde rezar no rito hoje

Holanda
Londres e Inglaterra
América do Norte
Caribe e América do Sul
França, Península, Itália
Israel

Diretório completo: S&P Central.

A Segunda Guerra

Amsterdã. Em 1940 viviam na Holanda cerca de 4.300 judeus portugueses. Num esforço desesperado, advogados e antropólogos pediram aos alemães que os declarassem “não judeus de raça”, por descenderem de marranos: o pedido cobria 4.304 pessoas. Hans Calmeyer, o funcionário alemão que julgava esses casos, aceitou apresentar só os 386 mais “convincentes”. Em Westerbork, os peritos nazistas os chamaram de “subumanos raciais”, e em 25 de fevereiro de 1944 o grupo foi mandado para Theresienstadt. Dos 4.300, cerca de 3.700 foram assassinados; menos de mil voltaram. A Esnoga ficou de pé, e a biblioteca Ets Haim, levada para a Alemanha, voltou depois da guerra.

Bordeaux. Em junho de 1940, o cônsul português na cidade, Aristides de Sousa Mendes, desobedeceu a Salazar e deu milhares de vistos a refugiados, muitos deles judeus. Dois anos depois, a Grande Sinagoga virou centro de detenção de onde famílias saíam para Drancy e Auschwitz.

Hamburgo e Itália. A velha comunidade portuguesa de Hamburgo, do começo do século XVII, desapareceu. Em Livorno, Veneza e Roma, os judeus do rito ocidental foram caçados a partir de 1943.

Londres e as Américas. Bevis Marks atravessou a Blitz sem dano. Nova York, Filadélfia, Montreal e o Caribe guardaram o rito enquanto a Europa o perdia.

Fontes: J. Presser, Ondergang, “De Portugese Joden”; história da comunidade, esnoga.com.

Quantos são hoje?

12–15 mil

é a nossa estimativa de quantas pessoas pertencem hoje a congregações que ainda rezam no rito espanhol e português, somando os números que elas publicam: Londres (c. 1.300 membros), Montreal (c. 800 famílias), Amsterdã (c. 630), Nova York e Filadélfia (algumas centenas de famílias cada), Curaçao (c. 200), Suriname (c. 130), e grupos menores na França, na Itália, em Gibraltar, no Caribe e em Israel.

Mas o rito sobreviveu melhor do que as famílias: em Londres, Montreal ou Bordeaux, a maioria dos fiéis hoje veio do Marrocos, do Iraque ou da Índia. Os descendentes da velha Nação que ainda rezam nessas sinagogas devem ser alguns milhares. Já os descendentes dos cristãos-novos que ficaram, como os de Branca, são incontáveis, e a maioria nem sabe.